Lula prepara campanha do medo e Flávio aposta em mudança para conquistar ausentes 

presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciam o segundo turno com um público em comum entre suas prioridades: os cerca de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas em 4 de outubro. As estratégias para mobilizar esses eleitores, porém, seguem caminhos diferentes.

A equipe de Lula prepara uma comunicação mais agressiva, centrada nas perdas sociais e econômicas que atribui a uma eventual vitória do adversário. A abordagem retoma o formato conhecido como “campanha do medo”, associado à estratégia utilizada por Dilma Rousseff (PT) contra Marina Silva, então no PSB, em 2014.

No campo de Flávio, a orientação é reforçar o discurso de mudança e a oposição à continuidade do PT no Planalto. A campanha pretende conquistar eleitores insatisfeitos com o governo que escolheram outros candidatos ou ficaram fora da votação, mas ainda apresentam resistência ao senador.

Flávio terminou o primeiro turno com aproximadamente 2,2 milhões de votos de vantagem. O resultado contrariou a expectativa de integrantes da campanha petista, que contavam com Lula na liderança antes da etapa decisiva.

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Para tentar recuperar terreno, o PT pretende ampliar a mobilização contra a abstenção. Na reta final do primeiro turno, a campanha havia concentrado parte desse esforço nos eleitores com mais de 70 anos. Agora, a intenção é alcançar ausentes de diferentes faixas etárias e reforçar a atuação em regiões consideradas estratégicas, especialmente no Nordeste.

A reorganização também envolve discussões sobre a comunicação. O nome do marqueteiro João Santana voltou a circular entre petistas diante das críticas internas ao trabalho do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, e de Raul Rabelo, responsável pelo marketing eleitoral. A circulação do nome, entretanto, não representa uma contratação anunciada.

Outra possibilidade em avaliação é apresentar antecipadamente integrantes de um eventual novo governo. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) é considerado para o Ministério da Fazenda, em uma tentativa de transmitir confiança na condução das contas públicas e aproximar a campanha de eleitores de centro. A indicação ainda não foi formalizada.

O PT também pretende explorar uma agenda de propostas e medidas sociais. Entre as prioridades está o fim da escala de trabalho 6×1, cuja discussão começa no Senado nesta semana, mas cuja votação permanece incerta.

Na campanha de Flávio, os votos destinados aos candidatos eliminados são tratados como uma oportunidade de expansão. A equipe espera atrair parte expressiva dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além de buscar apoio entre os que votaram em Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).

Essas expectativas são cálculos da campanha, e não uma transferência assegurada de votos. O eleitorado dos candidatos derrotados inclui pessoas que rejeitam tanto o petismo quanto o bolsonarismo, tornando a conquista desse público uma das tarefas da nova etapa.

Paralelamente, sua equipe pretende estimular o comparecimento de eleitores que desejam trocar o governo, mas não participaram do primeiro turno.

A disputa será decidida em 25 de outubro. Até lá, Lula busca recuperar a iniciativa com mobilização e críticas ao adversário, enquanto Flávio tenta transformar a liderança inicial em novos apoios e maior presença nas urnas.

Fonte: brasilnocentro