O deputado estadual Luciano Cartaxo (PT) afirmou que o Partido dos Trabalhadores na Paraíba vive um ambiente de disputas internas e falta de decisão política, o que estaria enfraquecendo o partido às vésperas das eleições de 2026.
Cartaxo comentou a polêmica envolvendo o presidente estadual do PT, Cida Ramos, e a nota de solidariedade divulgada pelo partido nos últimos dias. Segundo ele, dentro da executiva estadual não houve debate ou confronto sobre o tema.
“Eu vi a nota sendo postada, mas no grupo da executiva praticamente não teve discussão. Houve apenas um comentário depois, mas não teve debate, nem concordância nem discordância. A nota foi feita e a discussão morreu ali”, explicou.
O deputado disse que, embora o PT seja um partido plural, com várias correntes internas, o excesso de disputas tem prejudicado o crescimento da legenda no estado.
“O dissenso sempre existiu no PT, faz parte da nossa cultura. O problema é quando isso vira rotina e parece que o adversário está dentro do próprio partido”, avaliou.
Racha enfraquece o PT na Paraíba
Na entrevista, Luciano Cartaxo comparou a situação da Paraíba com outros estados do Nordeste, onde o PT é mais forte eleitoralmente.
“No Ceará, no Piauí, na Bahia, o PT governa há anos. Aqui na Paraíba, o partido está rachado e acaba perdendo força”, disse.
Segundo ele, divergências internas, como as posições do grupo ligado a Cid Ricardo sobre alianças e o apoio ao governador João Azevêdo, dificultam a construção de um projeto comum.
Cartaxo afirmou que o partido deveria ter tomado decisões ainda em 2025 sobre o rumo da eleição estadual.
“Na minha opinião, isso já era para ter sido decidido no final do ano passado. Partido que não participa da majoritária, que não tem protagonismo, não cresce”, declarou.
Falta decisão e liderança, diz Cartaxo
O deputado criticou a falta de um cronograma e de decisões claras dentro da direção estadual do partido.
“O que está faltando é decisão. A gente entra em janeiro sem saber o que quer. Falta prazo, meta, objetivo e deliberação. Se continuar empurrando com a barriga, o PT vai ser chamado só no final para carimbar uma aliança que já está pronta”, alertou.
Ele destacou que o PT tem peso político e não pode ser tratado apenas como coadjuvante.
“Todo mundo vai a Brasília atrás do presidente Lula. Aqui na Paraíba, os partidos procuram o PT porque sabem da nossa força. Então por que a gente não se impõe e diz: ‘Olha, queremos participar da chapa, queremos ter voz’?”, questionou.
PT deve participar da chapa majoritária
Luciano Cartaxo defendeu que o PT esteja na chapa majoritária em 2026, seja indicando candidato ou compondo alianças com mais protagonismo.
“O PT tem quadros experientes, lideranças com voto, militância forte e tempo de televisão. Não pode entrar apenas para apoiar”, afirmou.
Questionado se seria candidato a governador, Cartaxo disse que, neste momento, o partido já perdeu o tempo para lançar um nome próprio, mas criticou a falta de debate.
“Esse debate deveria ter sido feito lá atrás. Hoje está tudo atrasado porque o partido não decidiu”, concluiu.
A entrevista deixou claro que, enquanto os aliados de Lula se movimentam na Paraíba, o PT ainda busca organizar a própria casa para não chegar fragilizado à disputa eleitoral.
Com Fonte83





