A entrevista do deputado federal Murilo Galdino ao programa Poder e Notícia, neste sábado (14), adicionou um novo capítulo ao já movimentado tabuleiro político de Campina Grande e da Paraíba. Questionado sobre a declaração de Dr. Jhony Bezerra, que havia afirmado publicamente ter sofrido “boicote” dentro do governo após se aproximar politicamente dos Galdinos, Murilo reagiu no seu estilo: sem destempero, sem gritaria e sem romper a linha da diplomacia — mas com recados claros, firmes e politicamente cortantes. Jhony havia dito, em entrevista no dia 12, que o suposto boicote teria começado após sua aproximação com Adriano Galdino e Murilo Galdino, e que houve pressão para que ele disputasse mandato federal, numa tentativa de frear o crescimento político de Murilo.
Na resposta, Murilo preferiu não alimentar a narrativa da perseguição. Em vez disso, reposicionou o debate. Lembrou que foi solicitado pelo governador João Azevêdo para coordenar a campanha de Jhony em Campina Grande em 2024 e ressaltou que o então candidato foi abraçado pela base governista, num contexto em que o governo estadual apostava politicamente no projeto campinense. Em 2024, Murilo foi de fato anunciado publicamente como coordenador da campanha de Jhony na disputa pela Prefeitura de Campina Grande.
O ponto mais sensível da fala, no entanto, veio quando o deputado deslocou o foco do suposto boicote para o comportamento político de Jhony. Sem agressividade verbal, Murilo sugeriu que o desgaste do ex-candidato não decorreu de perseguição interna, mas de uma sucessão de promessas não cumpridas e movimentos contraditórios ao longo do processo político. Foi aí que a resposta ganhou peso: em vez de comprar a guerra aberta, o parlamentar preferiu insinuar que o problema não estava nos outros, mas na perda de confiabilidade provocada por acordos rompidos e compromissos não sustentados até o fim.
A fala foi lida nos bastidores como um típico tapa de luva. Murilo não negou apenas por negar. Ele procurou esvaziar a versão de Jhony com um argumento mais perigoso do ponto de vista político: o de que houve apoio, espaço e dedicação, mas o próprio ex-aliado teria contribuído para o desgaste ao não manter coerência nas articulações que fez. Em tradução livre, Murilo deixou no ar a tese de que a crise de Jhony não seria produto de isolamento imposto, mas consequência de escolhas mal administradas.
Há aí um detalhe importante. Quando Murilo lembra que se dedicou à campanha de Jhony e que havia uma construção política em torno da dobradinha entre estadual e federal, ele não faz apenas uma defesa pessoal. Ele tenta recontar a história sob outra ótica: a de que o grupo dos Galdinos estendeu a mão, participou, ajudou e foi leal ao projeto. Nessa narrativa, o afastamento posterior deixa de parecer boicote e passa a ser tratado como erosão natural de confiança.
Politicamente, a resposta de Murilo tem um efeito duplo. Primeiro, protege o grupo Galdino de uma acusação que poderia sugerir intriga ou perseguição dentro da base. Segundo, devolve para Jhony o peso do desgaste, associando sua saída de cena governista a uma sequência de promessas e alinhamentos que, na visão do deputado, não se sustentaram. É uma resposta sofisticada porque não aposta no confronto moral, mas no enfraquecimento da credibilidade do adversário.
Por: Napoleão Soares





