O delegado e os demais policiais civis presos na manhã desta terça-feira (2), durante a Operação Perfidus, movimentaram aproximadamente R$ 5 milhões cada nos últimos anos, segundo revelou o delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, André Rabelo.
A informação foi divulgada durante entrevista coletiva concedida após a operação que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar dentro da estrutura da segurança pública estadual.
De acordo com André Rabelo, as investigações apontam que o grupo possuía uma divisão de tarefas bem definida, com cada integrante desempenhando uma função específica dentro do esquema.
“É uma organização criminosa, cada um tem um papel. O delegado estava funcionando como guarda-chuva dessa situação, e isso é um termo usado na própria investigação. Como se fosse para dar o aparato para que nada chegasse até a equipe. Mas havia quem operacionalizava diretamente, havia esse guarda-chuva e, na divisão, todos entravam. Cada um tinha um papel bem específico”, afirmou.
Investigação identificou movimentações milionárias
Questionado sobre os ganhos obtidos pelos investigados, o delegado-geral informou que a análise financeira realizada durante a investigação identificou movimentações milionárias nas contas dos envolvidos.
“Havia muito lucro para cada um. Há, nessa movimentação fiscal e financeira, aproximadamente R$ 5 milhões por cada servidor”, declarou.
André Rabelo explicou que os dados são resultado de quebras de sigilo autorizadas durante a investigação.
Inicialmente, foi levantada a hipótese de que os valores correspondessem ao período entre o final de 2024 e 2026, mas o delegado esclareceu que a análise financeira abrange um período maior.
“A quebra de sigilo foi um pouco maior, foi de três anos para trás”, detalhou.
Esquema envolvia drogas, informações sigilosas e atuação de agentes públicos
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba, o grupo utilizava a estrutura estatal para beneficiar atividades criminosas.
A Operação Perfidus apura suspeitas de desvio de drogas apreendidas, repasse de informações sigilosas a traficantes e associação com organizações criminosas.
As apurações também indicam que parte dos entorpecentes obtidos pelo grupo era revendida para facções rivais ou utilizada em esquemas de extorsão contra traficantes.
Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
Blog do Maurílio Júnior





